
Custa tanto perceber a insensibilidade. Dói saber que existem pessoas que esquecem rápido o sofrimento dos outros, quase ocultando ou passando por cima de factos que experimentados, jamais se podem esquecer ou viver fingindo que não existem.
A morte dói. Uma dor intensa, permanente, que nos consome. Vamos aprendendo a viver com tão dura realidade mas também a conhecer e a eleger pessoas. A partida de alguém que amamos pode também ser ‘passaporte’ para sabermos quem realmente temos. Umas pessoas tornam-se em desilusão e outras são o garante dos nossos dias, a companhia e segurança, a esperança total onde nos agarramos.
A minha família foram a minha força, o meu porto de abrigo. A todos agradeço a sua existência. Sem família somos um barco à deriva, sem local de refúgio.
Se dói o sofrimento de perder alguém que amamos, dói igualmente perceber o distanciamento de todos aqueles que acham que este é um sofrimento a evitar. A evitar? Quem consegue evitar? Como evitar? Estas e outras perguntas, constituem realidades que muitos não querem pensar e assumir que a todos pode bater à porta o inesperado. É este imprevisto que nos trás as coisas boas mas também os maiores dos desafios, tão difíceis de aceitar. Ainda recentemente, no terrível acidente de viação em cadeia na A25, uma jovem de 21 anos de Leiria veio a falecer. Os seus pais sofrem o imprevisto. Estes e tantos pais que sofrem a ausência que surge sem avisar… E quem aparece para minimizar efeitos, chorar connosco esta dor? Não apenas no dia e nas semanas seguintes ao funeral mas… SEMPRE.