
Na escuridão não conseguimos atingir qualquer objectivo. À deriva, figuramos como invisuais, perdidos numa dimensão sem sentido.
Desde que soube que existias transmitiste luz. Tão clara, tão forte, tão esclarecedora de tudo. A tua dimensão é comparável a um archote que mesmo nos tempos onde não existia a electricidade, se traduzia em chama viva, quase como que se de comida se tratasse. Naqueles tempos idos, lá longe, sem os contadores da EDP, a chama da tocha, foi ambiente de muitos romances, de encontros entre Príncipes e Princesas, de nascimentos como milagre humano, de possibilidade de se cruzarem caminhos ou ruas sem o apavorante escuro da noite.
Sim, és luz. Na minha vida serás sempre dia. Não existe noite na tua dimensão. Percorro os meus dias, nessa chama ardente, num brilho que transcende qualquer compreensão humana. Mesmo conhecendo-te de perto por tão pouco tempo, mesmo sabendo que tanto existia a dividir, ÉS LUZ, SERÁS SEMPRE A MINHA LUZ.
Os teus raios descem sobre mim, completam-me numa noção fundadora da vida que se repete em cada instante. Provavelmente tudo estará ainda para começar. Tudo poderemos recomeçar, num ponto de partida achado por nós, de forma determinada e iluminada. Só saber que existes sinto luz, com tanta intensidade e verdade.
Um dia, num jardim, quer seja de dia ou de noite, quero sentir esses raios sobre mim. De mansinho, contemplarei a tua beleza, iremos juntos a correr junto daquele riacho, onde os peixinhos dançam ao som dos nossos passos, vindo ao de cima da água para também eles viverem a nossa luz. Sim, a nossa luz. Na verdade, sem Ti, não me sinto tão iluminado, mesmo sabendo que os teus raiosinhos me projectam cor e força. Mas contigo, verei mais longe, perceberei que existir é uma dádiva de Deus. Entenderei que por um minuto apenas que tivesses comigo neste lado da existência, vale a pena a minha existência para saber que estiveste comigo, mesmo nesse repentino mas tão significativo instante. Preciso de Ti, da tua Luz, sempre.
Joaquim Santos